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Empresas trocam atores por Inteligência Artificial em comerciais e acendem alerta no mercado audiovisual

  • 24 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Atriz de 23 anos relata queda em testes humanos e defende regulamentação que impeça substituição total de profissionais


Propaganda do Burguer King feita por IA

Reprodução: Burguer King


O uso de Inteligência Artificial (IA) em campanhas publicitárias deixou de ser exceção e começa a se tornar padrão em grandes marcas. De avatares hiper-realistas a personagens totalmente gerados por softwares, empresas de diversos setores têm optado por soluções digitais em vez de contratar atores e atrizes para seus comerciais. A tendência, que promete agilidade e redução de custos, também acende um alerta entre profissionais do audiovisual, que já sentem impactos diretos em suas rotinas de trabalho.


A atriz Gabrielle de Lima, 23 anos, afirma que, embora não tenha perdido papéis de maneira explícita para a IA, a mudança já é perceptível no dia a dia. “Acredito que não de forma direta, mas na demanda. Os testes humanos diminuíram, principalmente em campanhas publicitárias, e a opção pela IA fica mais alta”, explica.


Segundo Gabrielle, o movimento tem múltiplas causas. O custo-benefício e a rapidez na produção são fatores já conhecidos, mas há outro elemento que pesa ainda mais: a tendência. “Além da praticidade e do custo, tem muito a ver com ser ‘trend’. As empresas sabem que tudo que é tendência tem uma visibilidade maior”, afirma.


Campanhas recentes, como as do Burger King, reforçaram essa discussão ao usar personagens e influenciadores gerados digitalmente. Para as marcas, a tecnologia permite ajustar falas, cenários e expressões em minutos, algo praticamente impossível com gravações tradicionais.


A expansão acelerada da IA no setor reacende debates sobre direitos autorais, uso de imagem, remuneração e fronteiras éticas. Para Gabrielle, a solução passa por regras claras que definam limites. “A IA deve ser uma aliada, não uma substituta. Ela pode ajudar e otimizar o trabalho de quem atua com criatividade, mas as leis precisam colocar cada coisa no seu lugar”, defende.


Enquanto o mercado publicitário se encanta com as possibilidades da IA, artistas pedem cautela. A discussão não gira em torno de barrar a tecnologia, mas de garantir que ela não elimine a participação humana, especialmente em áreas criativas. “O ideal é que exista equilíbrio”, diz Gabrielle. “A tecnologia pode somar, mas não deve substituir completamente quem dá vida às narrativas.”


A tendência é que o debate cresça nos próximos meses, conforme mais empresas adotam ferramentas de IA e profissionais pressionam por regras que preservem direitos e oportunidades.

 
 
 

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